Aquele momento em que voce ve alguem usando um lapis identico ao que perdeu
humorar:

“Esquece. Não vou atrás de ninguém. Não mais. Ontem eu quis desesperadamente a sua companhia lá naquele banco da praça, quis ficar ali com você a noite toda se pudesse. E quando fui embora pensei em te ligar, dizer pra voltar amanhã, vir me fazer sorrir. Mas não. Hoje eu acordei e pensei que seria melhor não, eu não quero me apegar em ninguém, não quero precisar de ninguém. Quero seguir livre, entende? Mesmo que isso me faça falta, alguém pra me prender um pouquinho. Vou me esquivar de todo sentimento bom que eu venha a sentir, não levar nada a sério mesmo. Ficar perto, abraçar de vez enquando, sentir saudade, gostar um pouquinho. Mas amar não, amar nunca.”
“Escrever? É, tenho que pensar em algo, mas em quê? O amor? Desisto… Saudade? Não faz mais o meu estilo. Solidão? Sinto que até ela às vezes me abandona… Ela? Desistiu de mim a muito tempo… E a única coisa que de mim saiu foi isso: Acho que foi uma explicação, um desabafo, ou um “grito de socorro”. Porque odeio estar assim, sem vontade de me expressar, sem vontade de gritar pra o mundo alguma coisa. Vontade de não apenas estar vivo, mas me sentir como tal. Vontade de me entregar, me jogar do precipício, me desejar uma felicidade em um outro lugar, vontade de o mundo acabar, de Jesus voltar, de o apocalipse chegar… Sei lá. Hoje só não tenho vontade de estar vivo, só não tenho vontade de viver mais, não tenho vontade de falar com ninguém, de sorrir, de ser o que as pessoas querem, de dar a mão a ninguém. Será que ninguém percebe essa minha dor? Essa minha agonia, essa minha falta de vontade, essas minhas muitas vontades, essas minhas dúvidas? O pior de tudo é que não posso me isolar do mundo, não posso simplesmente desaparecer, tem alguns que se importam (EU ACHO). Mas meu caro amigo, não está fácil. Não sei mais o que fazer, todas as minhas “saídas de emergência” se esgotaram, todas as minhas forças se acabaram, todos os meus pensamentos já se foram pensados até aqui. Ai você pode pensar: Que drama. É. Pode até ser, mas não é fácil “estar na minha pela”. Ninguém sabe os traumas que tive de passar até aqui, ninguém sabe porra nenhuma da minha vida. Mas eles julgam, eles pensam que sabem tudo, eles pensam que são os donos da verdade e nunca pensam que tenho um coração, tenho sentimentos, tenho manias, defeitos, segredos, agonias, tempestades… O que mais me entristece nesse mundo de hoje é a falta de consideração que as pessoas tem umas com as outras, hoje em dia elas falam o que querem, amam quando querem, se divertem nas custas dos outros, não se importam com mais nada. E eu sou um estranho ser, que medita antes de dormir certas coisas, consigo ver algumas coisas que eu não queria ver, consigo ver as maldades ocultas em cada pessoa. E chega certo momento que não consigo mais conviver com elas sem me opor, sem falar o que sinto, sem me defender delas, ou sem me afastar… Vamos lá, quero falar mais, quero colocar tudo pra fora. Quero me livrar dessa dor que está aqui corroendo minha alma, fazendo meus dentes gemerem de dor, por não conseguir me expressar, quero me livrar desse vazio que aflige meu interior, quero me esvaziar de tudo de ruim que trago comigo até hoje, quero me esvaziar do meu próprio eu, quero me defender de mim mesmo, quero mudar, quero ser uma outra pessoa, quero me reter de tais argumentos sem nexo algum, quero parar de dar explicações, quero parar de debater com as pessoas mesmo sabendo que estou errado, quero enfim: viver, mesmo que viver seja enfim: morrer pra mim mesmo.”